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PRIMORDIOS DA LINGERIE : O surgimento da calcinha e suas mudanças até os dias de hoje

lingerieOi gente, tudo bem? Como disse no post anterior “Afinal, o que é moda?” fiz um artigo no segundo ano da faculdade de moda sobre a história da lingerie, afunilando mais para a história da Calcinha e trouxe para você ler o primeiro capítulo. Então trago a oportunidade para você adquirir um pouco mais de conhecimento sobre a história da moda, da lingerie e principalmente da calcinha.

A necessidade de cobrir o corpo

 

A Revolução Popular na França levou a uma simplificação geral do vestuário na Europa inteira. Durante o século XVIII, mulheres que usavam calcinhas eram tachadas de “criaturas libertinas e de moral duvidosa”.

 

Com o passar do tempo o famoso vestido império ganhou fama entre as mulheres, inspirados na vestimenta das gregas as Europeias aderiram a moda, porém, deixavam as partes baixas um tanto arejadas demais. Foi então, por volta de 1800 que começou a surgir a necessidade usar algo a mais por baixo da roupa.

 

O primeiro modelo que encontrava-se foi o calção ou pantaloon, em sua maioria cobria um pouco mais que os joelhos podendo chegar ao tornozelo, feito com tecido parecido com as meias finas usadas hoje em dia. Este calção foi primeiramente aderido somente por mulheres importantes do Diretório Frances e por algumas das damas mais ousadas da sociedade ocidental, sintonizadas com a vanguarda da moda. Em 1820 constava a peça no guarda roupas de quase todas as duquesas.

 

Durante a mesma época, porém, do outro lado do Atlântico, surgiu a novidade que não foi vista com bons olhos logo de cara, as pantalettes (diminutivo de pantaloons), que seriam calças folgadas com babados na extremidade de cada uma das pernas. Com o tempo tal peça foi ganhando espaço no closet da maioria das jovens meninas da época.

 

 

Calções femininos

 

Até meados do século XIX, as pessoas se recusavam a usar babados, bordados ou tecidos espalhafatosos em suas calçolas, havia somente uma barra da última das anáguas com discreto acabamento em bordado inglês, era uma peça com muita austeridade e tratavam-a como tabu, nem se quer mencionavam a existência de tal, o que foi mudando ao longo do século.

 

O calção dividido, que mais parecia uma calça larga de pijama, babados com arremete rendado na barra (provocando atração nos homens quando vislumbravam a bainha branca furtiva por baixo do volume de roupas), além de uma abertura entre as pernas, facilitando na hora de fazer suas funções fisiológicas, visto que tinham que usar camadas e mais camadas de roupas. A peça, criada por Thomas Crapper, era considerada um artigo barato, custando 1 xelim (20 Xelins = 1 Libra).

 

Diversas ideias foram criadas, um exemplo foi Amelia Bloomer que surgiu com uma saia moderadamente rodada batendo um pouco abaixo dos joelhos, usada sobre um par de calças bufantes ajustadas nos tornozelos, porém, muitas não viram com bons olhos essa moda tão liberal para época;

No ano de 1851, fora inventada a Máquina de Costura, por Merrit Singer e então fazer acabamentos e adornos passou de quase nunca usados a um assunto corriqueiro;

Por volta de 1880 chegou uma forte onde pró saúde e então assuntos como higiene vieram à tona em um evento sobre “Vestimentas Higiênicas”. Na época, Lady Harbeton escreveu “Nenhuma moça ou mulher em idade de ter filhos deve ter que usar roupas de baixo que pesem mais do que três quilos”.

Dr. Jaeger acreditava que fibras puras de origem animal eram capazes de previnir ou curar qualquer doença, uma vez que “evitavam a retenção das exalações corporais nocivas” e então criou o “Sanitary Woollen System”, que mais seria um Sistema Sanitário Baseado na Lã onde roupas de baixo seriam feitas com lã natural.

 

 

 A moda dos Bufantes

 

Durante o inverno, sentiu-se a necessidade maior de usar calções mais pesados para impedir a corrente de ar que passava pelas partes baixas. Os tecidos que então foram usados nessa época foram flanelas e lãs e, além de tecidos diferentes surgiram as iniciais da dona bordadas na parte da frente dessas calcinhas, que permaneceram por muito tempo na história.

Enquanto a camada mais rica da sociedade tinha suas roupas de baixo bordadas com iniciais, a classe mais baixa comprava em brexós, peças doadas ou costuravam retalhos que encontravam. Na mesma época, mulheres eram perseguidas nas ruas por garotinhos gritando “Saco de Arroz! Saco de Arroz!”, pois como muitas eram desprovidas de dinheiro, usavam os sacos de algodão que as mercearias usavam para embrulhar farinha, açúcar ou arroz. Muitas vezes, mesmo após ferver e alvejar os sacos, carimbos como “12 Kg – farinha de Confeiteiro” não saiam, então ficavam estampados em suas roupas íntimas.

 

Após certo tempo, quanto mais as mulheres tiveram a chance de tomar conta de suas vidas, mais provocantes e sensuais tornaram-se suas roupas de baixo, que por sinal já podemos começar a chamar de lingerie.

Com o surgimento da máquina de costura, a empresa de tecidos de algodão, Horrocks, lançou, em 1860, uma coleção de lingerie e roupas de cama para pronta entrega. Agora além de produzir o material, teriam de fabricar as roupas. A partir desse momento, a empresa ganhou alto prestígio e outras consequentemente viram a surgir.

 

A silhueta curvilinea com quadris e seios em destaque, popular no princípio do século XX na moda feminina inglesa, pedia roupas de baixo menos volumosas, mas sem perder o costume de rendas e babados. Então, com a união entre as ceroulas e a camisola de baixo, surgiram em 1870 as combinações, usadas sob os espartilhos.

 

 

 

 Maison Lucile e a Seda

No príncipio do século XX somente atrizes e nobres usavam seda em roupas íntimas, no máximo, damas bem-nascidas tinham suas roupas cozidas à mão e arrematadas com babados de renda e laços de seda. Isso porque em 1910 o rei Eduardo VII falesceu e o mundo da moda estremeceu diante da repentina mudança, fazendo com que o vestuário externo feminino ganhasse linhas mais sóbrias e enxutas .

Fundada por Lady Duff Gordon, Maison Lucile ficou famosa por seu design, luxuosa produção de lingerie e a libertação dos justos corsets. Lady Duff acreditava na feminilidade e não tinha medo de quebrar qualquer norma, sua dedicação e amor por moda e lingerie transformou a indústria e a forma como a mulher se veste até hoje. As peças da Maison eram produzidas com seda fina arrematada com trançados e rendas volumosas ou bordados em alto-relevo. Além de todo o luxo encontrado no tecido, era feito uma espécie de croche produzindo figuras maciças e muitas vezes tridimencionais. Confeccionadas à mão, como em todas as lingeries de luxo, eram bordadas as iniciais da dona. A marca existe até hoje e suas peças são comercializadas online no site de Lucile.

 

 

Surgimento do elástico

 

Em 1820 T.Hancock, de Middlesex, inventou a banda elástica, porém, não se parecia nada com o elástico que conhecemos hoje. A tal banda elástica era usada ocasionalmente na confecção de espartilhos, porém, não tinham boa qualidade e durbilidade.

Em 1836, Charles Goodyear, descobriu um meio de tornar o látex mais estável, porém, o elástico que compramos hoje em Armarinhos só surgiu em 1925 com a Dunlop Rubber Company (maior companhia anglo-americana a fabricar elásticos de látex natural e sintéticos).

 

 

 Primeira Guerra, Dança e Hollywood

O Período da Primeira Guerra Mundial ficou conhecido pela simplificação de tudo, incluindo a moda. As roupas tornaram-se mais fáceis de se vestir e muitos dos costumes vitorianos foram deixados de lado. A dança também contribuiu para a simplificação, principalmente da lingerie, pois com o surgimento do tango e do jazz, as mulheres viram que precisavam de agilidade, consequentemente, roupas que não restringissem seus movimentos. Logo, folhetos impressos com instruções rápidas para a confecção de calçolas para dança foram virais.

As melindrosas surgiram com o fim da Guerra, em 1918. Conhecidas por longos colares com pérolas, franjas, sem seios avantajados, batendo seus saltos no chão e revelando as dimensões reduzidas de suas roupas íntimas por baixo de seus vestidos que não modelavam o corpo.

A melhoria no setor de tingimento das roupas foi essêncial para deixar de lado o branco que imperava antigamente e colocar o ton pêssego, marcando a volta das peças em “tons de carne” da época do Diretório Francês.

Hollywood ganha os olhares do mundo e rouba o posto de Paris como influênte na moda, pois o sonho de toda mulher era vestir-se igual à sua atriz favorita. Visto que os atores eram tidos como ídolos e todos gostariam de “ser” eles, a técnica foi fazer com que grandes estrelas parecessem ainda mais elegantes e sexy. O corte enviesado tomou conta das peças das celebridades, pois era completamente diferente, marcando feminilidade delicada e curvelínea. Surge então a necessidade inédita das dietas e exercícios de “saúde e beleza” e, consequêntemente, roupas mais ajustadas ao corpo.

 

 

 

Surgimento do Nylon

Em 1930, a companhia British Nylon Spinners patenteou o nylon no país, e o Bri-Nylon tornou-se uma marca famosa desse tecido sintético. A modelagem caleçon era mais utilizada, porém, jovens preferiam as “sunguetes”, mais Justas e curtas. Elas eram feitas de acetato e nylon liso ou estampado, muitas vezes com acabamento de rendas e babados.

Trinta anos depois a moda pedia trajes cada vez mais curtos e, os tecidos de nylon e poliéster haviam atingido uma grande massa. Os jeans já haviam se tornado unisex e acompanhando as tendencias, a lingerie ficou menor e ainda mais justa ao corpo (calcinha tipo biquini, de nylon stretch). A imensidão de cores vibrantes e com estampas chamativas ganhou o guarda-roupa de muitas mulheres, porém, ainda tiveram as que continuaram com cores tradicionais tais como branco e tons pasteis.

 

 Quase nada

Em 1984, o estilista Calvin Klein declarou que numa sociedade liberal como a dos dias de hoje, anda mais natural que os homens e mulheres partilhem as mesmas roupas íntimas. E para isso lançou uma coleção de cuecas masculinas tendo em mente a mulher.

A partir desse momento, surgem milhares de modelos inusitados e, para os mais tradicionais, de moral duvidosa, tais como calcinha fio dental, calcinhas comestiveis e a liberdade de escolher não usar nada.

 

 

Webgrafia

http://blogamelias.com.br/higiene-e-limpeza/lingerie-tao-importante-quanto-a-nossa-roupa-externa-escolha-o-seu-tipo-ideal-e-saiba-como-conserva-las-bonitas-por-mais-tempo/

http://www.iemi.com.br/press-release-iemi-mostra-que-emocao-e-o-que-determina-escolha-de-moda-intima/

 

http://www.textilia.net/materias/ler/textil/conjuntura/perfil_do_setor_de_moda_intima_no_brasil

 

Bibliografia

MEDEIROS, Janaina. Costurando para fora: a emancipação da mulher através da lingerie. Rio de Janeiro: Memória Visual, 2010.

 

HAWTHORNE, Rosemary. Por baixo do pano: a história da calcinha. Rio de Janeiro: MATRIX, 2008.

XIMENES, Maria. Moda e Arte na Reinvenção do corpo feminino do século XIX. São Paulo: Estação das Letras Cores, 2011.

GOLDENBERG, Miriam apud FINOTTI, Ivan Carvalho. Por que a moda importa tanto? . In: Estado de São Paulo. Aliás, São Paulo, 22-1-2006, p. J3.

 

Imaginava que seria assim? Quero receber seu feedback!! Beijos e até o próximo post…

 

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