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Carta ao meu primeiro amor

letterVocê me mandou uma mensagem na noite de quarta-feira dizendo que precisava me ver. Marcamos no lugar de sempre.

Como de costume, eu cheguei primeiro e já fui fazendo o pedido. Um muffin de banana pra mim e um de chocolate para você.

Logo te vi atravessando a rua. Você usava uma calça jeans surrada e uma camisa vermelha. (Eu amava essa camisa, por sinal).

Na hora de me cumprimentar, senti uma certa frieza da sua parte, não posso negar. Mas na hora nem liguei. Tudo o que eu queria era ficar a manhã toda naquele café, olhando nos seus olhos e conversando sobre o que viesse à cabeça.

Te perguntei sobre a faculdade, os amigos novos, a reforma do apê… Enquanto me respondia às perguntas eu me perguntava por que você desviava tanto o olhar.

Demorei para perceber que algo estava acontecendo. Como você havia mudado de uma semana para cá. Já não era o mesmo nem na forma de se expressar. Tentei ser direta no momento da minha próxima pergunta: “O que está acontecendo, João?” Ele suspirou e soltou:

–       “Ana, me desculpa mesmo. Foi tudo acontecendo tão rápido, e ela…” – Senti uma pontada no estômago e uma lágrima começando a se formar no meu olho esquerdo. Sem saber de quase nada, já estava entendendo tudo.

–       “João… Pára. Eu não preciso de explicações e também não quero saber quem é ela.”

–       Ele pegou na minha mão e disse: “ Você foi o meu primeiro amor. E eu nunca vou esquecer disso. Por favor, não fique com raiva de mim. Eu amei cada segundo que passamos juntos. Mas as coisas mudam, a gente muda. Eu sinto muito.”

Enxuguei as lágrimas com a manga do casaco e saí andando. Não suportaria mais olhar na sua cara. Pelo menos não naquele momento. Peguei o primeiro taxi que avistei. Não via a hora de chegar em casa, voltar para a cama e tentar imaginar que tudo aquilo não se passava de um pesadelo.

Durante todo o caminho fui alimentando a minha velha mania. Peguei uma caneta preta e meu caderno e coloquei para fora tudo aquilo que estava sentindo em forma desenho. “Nada mal” pensei, ao ver o resultado.

Antes mesmo de entrar em casa já estava chorando novamente. Sentei no chão da sala e lá fiquei por um bom tempo. Percebi que não seria fácil de superar tudo aquilo, mas decidi que iria ficar com as nossas melhores memórias.

Hoje, 10 anos depois de tudo aquilo, quando lembro da gente só consigo pensar nos nossos momentos mais felizes… Passeios de bike pelo bairro, tardes na varanda do seu apê, o show do U2, nossa primeira vez, sessão de filmes na minha casa… e lembro principalmente de como eu te amei e como você me fez feliz durante aqueles 3 anos.

( Luiza Cruz)

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